A polêmica envolvendo a Cracolândia, região de São Paulo conhecida pelo grande número de dependentes químicos que perambulam pelas ruas à procura de drogas, em especial o crack, ganhou mais um capítulo. A operação Centro Legal, feita pela Polícia Militar do Estado de São Paulo, abordou mais de 1.500 pessoas e prendeu mais de 40 desde a última terça-feira, visando dispersar os dependentes do local. A questão que ainda não foi respondida é se retirar os usuários do local, tão somente, irá mudar alguma coisa no cenário à longo prazo.
A medida faz parte de um plano maior, o projeto Nova Luz, da prefeitura, que visa revitalizar áreas degradadas da capital. Com isso, homens da PM foram enviados a famosa rua Helvética e redondezas, com a missão de abordar usuários e dispersá-los pelo centro da capital, tentando assim desmantelar o comércio ilegal e explícito de drogas. Segundo a coordenação da operação, também foram feitas abordagens sociais e de saúde nos usuários.
O que parecia belo aos olhos de muitos, já se mostra ineficaz. A exemplo de uma destruição de um formigueiro, onde os pequenos insetos se espalham a primeira vista, mas logo formam novas colônias, assim foi com o pessoal da Cracolândia. Afastados do ponto de venda, os dependentes e traficantes, de forma lógica, procuraram e se aglomeraram em outros pontos da cidade. Bairros de classe média como Campo Belo e Tatuapé já testemunham o movimento de usuários. Famosos por evitar o convívio com “classes baixas”, moradores de Higienópolis também temem a migração. Tal comportamento dos usuários só comprova que o tráfico segue as regras do capitalismo: enquanto houver demanda, haverá mercado.
Para tentar solucionar o problema, a prefeitura de São Paulo afirma que trabalha também na área da saúde. Segundo site do programa, foram oferecidas 302 vagas em seis clínicas de tratamento, mas todas estão preenchidas.
Para a secretária de Estado de Justiça e da Defesa da Cidadania, Eloisa de Sousa Arruda, a migração já era prevista. Já para a PM, a formação de outros conglomerados é enxergada como possível, no entanto, promete combater tal possibilidade.
Foto: Marlene Bergamo/Folha de São Paulo


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